Resposta direta: não. A inteligência artificial passou a liderar a agenda de TI das empresas brasileiras — à frente de cibersegurança e nuvem, pela primeira vez — segundo levantamento da ABES em parceria com a IDC, divulgado em agosto de 2026: entre companhias com mais de 100 funcionários, 95% já usam ou planejam adotar IA nas operações, e 86% devem aumentar o investimento em TI neste ano. Isso não significa que segurança e infraestrutura perderam relevância. Significa que a decisão sobre onde entra o próximo real de orçamento de tecnologia mudou de forma — e quem tratar isso como “trocar uma prioridade pela outra” corre o risco de abrir uma lacuna de governança bem na hora em que mais IA está entrando na operação.
Para uma empresa de médio porte, esse deslocamento de agenda chega ao mesmo tempo em que outro dado do mesmo período mostra o oposto do que o otimismo sugere: 84% das empresas usam IA “aos pedaços” e apenas 3% já veem receita nova ou vantagem competitiva com isso, segundo o Panorama 2026 da Amcham Brasil com a Humanizadas. A leitura correta não é escolher entre os dois números — é entender que orçamento maior sem critério de aplicação amplia o problema em vez de resolvê-lo, e que segurança não pode virar a variável que sobra quando o orçamento de IA cresce.
Principais aprendizados
- A IA ultrapassou cibersegurança e nuvem como principal tema da agenda de TI em 2026 (ABES/IDC), com 95% de adoção ou intenção de adoção entre empresas de mais de 100 funcionários — mas adoção nominal não é o mesmo que aplicação com resultado.
- 86% das empresas devem aumentar o investimento em TI neste ano; o risco real não é gastar pouco, é gastar mais sem redefinir onde a segurança entra nesse novo orçamento.
- IA e cibersegurança não competem pelo mesmo orçamento — aplicada com critério, a IA pode acelerar exatamente os processos de segurança que ficariam mais lentos com mais orçamento e menos direção.
- Uma empresa de médio porte não precisa escolher entre investir em IA e manter a governança de dados — precisa definir o perímetro de ferramentas e regras antes de expandir o uso, não depois.
- O sinal de maturidade não é ter um item no topo da agenda de TI; é ter um processo de segurança que melhora na mesma velocidade em que a IA se expande dentro da empresa.
O que significa, na prática, a IA ultrapassar cibersegurança na agenda de TI?
Significa que, pela primeira vez, o item que mais aparece nas conversas de orçamento de TI entre companhias brasileiras de mais de 100 funcionários é IA — não firewall, não migração para nuvem, não resposta a incidentes. Isso é reflexo de pressão de negócio, não de descoberta técnica: diretorias querem ver produtividade e diferencial competitivo, e IA virou o rótulo mais comum para essa cobrança. O dado da ABES/IDC (95% de adoção ou intenção de adoção, 86% de aumento de investimento) confirma volume, não qualidade de decisão.
Na prática, essa mudança de agenda tende a puxar orçamento e atenção de liderança para iniciativas de IA que ainda não têm processo definido, enquanto times de segurança e infraestrutura seguem operando com o mesmo orçamento de antes — só que agora protegendo uma superfície maior, porque cada ferramenta de IA nova é também um novo ponto de acesso a dado da empresa. O deslocamento de agenda não elimina o trabalho de segurança: aumenta o que ele precisa cobrir.
Priorizar IA na agenda de TI significa reduzir o investimento em segurança?
Não deveria, mas é exatamente o padrão de risco mais comum quando uma empresa trata prioridade de agenda como corte de orçamento em outra linha. O dado da Amcham sobre uso fragmentado — 84% das empresas usando IA aos pedaços, com ferramentas entrando por indivíduo ou por área isolada, sem processo nem dono definido — é também um retrato de shadow IT: cada assistente contratado sem passar pela TI é uma decisão de segurança tomada por quem não tem essa responsabilidade.
O critério que resolve essa tensão não é escolher entre os dois orçamentos — é inverter a ordem das etapas. Antes de aprovar qualquer expansão de uso de IA, mapear qual ferramenta já circula na empresa e qual regra de dado a TI já exige evita que o crescimento de adoção vire, simultaneamente, crescimento de risco não mapeado. Isso é diagnóstico, não projeto de meses: leva semanas, não um novo orçamento de segurança.
Como aplicar IA para fortalecer a segurança, em vez de deixar isso para depois?
Tratando a própria estruturação de segurança como um processo que pode ser acelerado por IA, e não como um item concorrente na fila de orçamento. Uma empresa brasileira de tecnologia B2B de médio porte usou exatamente esse caminho: em vez de esperar um ciclo tradicional de 9 a 12 meses para estruturar o portfólio de cibersegurança da própria operação, conduziu esse mapeamento — gargalos, lacunas de cobertura, priorização de correções — em 8 semanas, com o próprio time de negócio construindo parte das automações de levantamento e triagem dentro do perímetro de ferramentas já aprovado pela TI.
O ganho não veio de “usar mais IA” de forma genérica. Veio de aplicar o mesmo critério que qualquer iniciativa de IA precisa ter para gerar resultado: um processo específico (estruturação de portfólio de segurança), medido (tempo de ciclo, cobertura de risco mapeada) e com dono definido antes de começar. Resultados desse tipo dependem do contexto, da maturidade e dos processos de cada organização, e não constituem promessa de resultado equivalente em outro ambiente — mas o critério que produziu esse ganho de tempo é replicável: segurança pode ser o primeiro processo a receber IA aplicada, não o último.
Esse é o desenho do programa AMPLIFICA da HAIA: a TI define, uma única vez, o perímetro de ferramentas e regras de dado permitidas — o que já resolve boa parte do risco do uso “aos pedaços” — e o time de negócio constrói dentro desse espaço, com mentoria, sem depender de fila de desenvolvimento nem de contratação de software novo a cada iniciativa.
Perguntas frequentes
A IA vai substituir os investimentos em cibersegurança das empresas?
Não. Os dados de 2026 mostram IA ultrapassando segurança e nuvem como tema mais discutido na agenda de TI, não como substituta de orçamento de segurança. Empresas que reduzem investimento em segurança para financiar IA tendem a aumentar a superfície de risco, já que cada ferramenta de IA nova também é um novo ponto de acesso a dado sensível que precisa de governança.
Empresa de médio porte deveria aumentar o orçamento de TI só porque 86% do mercado está aumentando?
Não por esse motivo isoladamente. Aumentar orçamento sem critério de aplicação tende a repetir o padrão de uso fragmentado que já afeta 84% das empresas brasileiras, segundo a Amcham. O aumento de investimento faz sentido quando vem depois de um processo prioritário identificado — não antes, como resposta a uma média de mercado.
Isso significa que a nuvem deixou de ser prioridade para as empresas brasileiras?
Não, significa que ela deixou de ser o item mais citado no topo da agenda, cedendo lugar à IA pela primeira vez segundo a ABES/IDC. Infraestrutura de nuvem continua sendo a base sobre a qual a maioria das iniciativas de IA roda — a mudança está na ordem de prioridade da conversa executiva, não na eliminação do investimento em nuvem.
O que uma empresa deveria fazer primeiro: aumentar orçamento de IA ou revisar governança?
Revisar governança primeiro, ainda que de forma leve. Mapear quais ferramentas de IA já circulam na empresa e quais regras de dado a TI já exige custa semanas de diagnóstico, não um novo orçamento — e evita que o próximo investimento em IA amplie um risco de segurança que ainda não foi mapeado.