Nubank e Bradesco já mostram retorno financeiro com IA: o que a empresa de médio porte deveria medir antes de comprar mais uma ferramenta

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Nubank e Bradesco já publicam números concretos de retorno financeiro atribuído a inteligência artificial: o Nuformer, modelo interno de crédito do Nubank, reduziu o risco de inadimplência em 70% frente aos modelos anteriores, e o Bradesco atribui à análise de crédito apoiada por IA mais de R$ 1 bilhão em receita adicional. Isso muda a pergunta que uma empresa de médio porte deveria fazer antes de aprovar mais orçamento de IA: não é “quanto estamos usando”, é “qual processo já tem dono, dado confiável e métrica acompanhada o suficiente para provar retorno”.

O padrão que aparece nesses dois casos não depende de escala de banco. Depende de três elementos replicáveis em qualquer porte: um processo específico escolhido (não “a empresa” inteira), dado confiável amarrado a esse processo, e uma métrica definida antes do piloto começar — não depois, quando já é tarde para comparar. Uma pesquisa recente da AWS com a Strand Partners mostra por que isso importa: a adoção de IA no Brasil subiu de 40% para 50% das empresas em um ano, mas apenas 15% chegaram a um estágio de maturidade capaz de transformar modelo de negócio — a maioria ainda usa a tecnologia em aplicações pontuais, sem medir o que ela de fato devolveu.

Principais aprendizados

  • Retorno financeiro mensurável com IA já é documentado publicamente no Brasil, não é promessa: o Nuformer do Nubank reduziu 70% o risco de crédito frente aos modelos anteriores, e o Bradesco atribui mais de R$ 1 bilhão em receita adicional à análise de crédito apoiada por IA (dados do ranking Evident sobre bancos da América Latina, jul/2026).
  • A mesma pesquisa que mostra adoção de IA subindo para 50% das empresas brasileiras (AWS/Strand Partners, set/2026) mostra que só 15% chegam ao estágio avançado de maturidade — a maioria segue em aplicação pontual, sem medir retorno.
  • O fator comum entre os bancos citados não é orçamento: é dado governado amarrado a um processo específico, com dono e métrica definidos desde o piloto.
  • Medir retorno de IA não exige comitê nem área de dados dedicada — exige nomear, para um processo escolhido, quem responde pelo resultado e qual número prova que funcionou.
  • Comprar ferramenta nova antes de nomear esse dono e essa métrica repete o padrão que a pesquisa ABES/IDC já descreveu: 95% das organizações brasileiras usam IA, mas menos da metade tem dado governado o suficiente para sustentar escala.

Que prova de retorno financeiro com IA já existe, fora dos grandes bancos?

Existe, e é específica, não genérica. O ranking Evident sobre bancos da América Latina (jul/2026) mostra o Nubank com um modelo próprio de risco de crédito, o Nuformer, que reduziu em 70% o risco frente às abordagens anteriores — e mais de 5% da força de trabalho do banco já atua diretamente em funções de IA. O Bradesco, via sua plataforma Bridge e os assistentes BIA, atribui à análise de crédito apoiada por IA mais de R$ 1 bilhão em receita adicional. O Itaú lidera o ranking em número absoluto de profissionais dedicados a IA. Em nenhum dos três casos o retorno vem de “ter IA” de forma difusa — vem de aplicar IA a um processo de receita ou risco já mapeado, com dado histórico confiável para treinar e validar o modelo.

Essa mesma lógica aparece em escala bem menor num programa de capacitação conduzido pela HAIA numa operação de saúde de médio porte: o processo escolhido foi a validação cadastral de documentos, que levava de 5 a 6 dias com uma equipe de 8 pessoas. Depois da intervenção, o ciclo caiu para até 24 horas e passou a rodar com 3 pessoas. A diferença de escala em relação a um banco é enorme — a lógica de medição é a mesma: processo nomeado, linha de base registrada antes de começar, resultado comparado contra ela. Como em todo case do tipo, os resultados variam conforme o contexto, a maturidade e os processos de cada organização; não constituem promessa de resultado equivalente em outro ambiente.

Minha empresa precisa da escala de um banco para medir esse retorno?

Não precisa, e é aqui que a maioria das empresas de médio porte se engana. A pesquisa AWS/Strand Partners mostra que a barreira não é tamanho — é critério. Das empresas que já adotaram IA, a maior parte está presa em “aplicação pontual”: usa a ferramenta, mas não tem processo definido para saber se ela está gerando valor. A pesquisa ABES/IDC do mesmo período reforça o mesmo ponto pelo ângulo da governança: 95% das organizações brasileiras já usam IA, mas menos da metade tem dado governado o suficiente para confiar no resultado que a ferramenta devolve.

O critério que separa quem mede de quem não mede não é orçamento de banco — é disciplina de três elementos: dono nomeado para o processo (não para “o projeto de IA” em geral), dado confiável específico para aquele processo (não a base de dados inteira da empresa) e uma métrica de valor acompanhada desde o primeiro dia do piloto, não inventada depois para justificar o gasto. Uma empresa de médio porte consegue aplicar isso a um único processo, sem comitê e sem contratar equipe de dados — o que falta normalmente não é capacidade técnica, é a decisão de escolher um processo e parar de testar em vários ao mesmo tempo.

Por onde começar a medir retorno, se hoje não meço nada?

Comece pelo processo, não pela ferramenta. O critério prático é priorizar por frequência × tempo × retrabalho: qual atividade se repete com mais frequência, consome mais tempo por execução e gera mais retrabalho quando sai errado. Esse processo — e só ele, no início — recebe um dono, uma linha de base medida antes de qualquer mudança (quanto tempo leva hoje, quantas pessoas envolve, qual taxa de erro) e uma única métrica acompanhada durante o piloto inteiro.

Só depois de validar esse primeiro ciclo — com número comparável ao da linha de base, não com impressão subjetiva de “ficou mais rápido” — faz sentido decidir se escala para outro processo ou se investe em mais ferramenta. Inverter essa ordem, comprando licença antes de ter processo e métrica definidos, é o padrão mais comum por trás dos 85% de empresas brasileiras que a pesquisa AWS/Strand Partners classifica fora do estágio avançado de maturidade: não falta ferramenta, falta critério de medição antes de escalar.

Perguntas frequentes

IA já gera retorno financeiro comprovado no Brasil?

Sim — bancos como Nubank e Bradesco já publicam esse retorno com números específicos, não estimativas genéricas. O Nuformer do Nubank reduziu 70% o risco de crédito frente a modelos anteriores, e o Bradesco atribui mais de R$ 1 bilhão em receita adicional à análise de crédito apoiada por IA (ranking Evident, jul/2026). O padrão comum é IA aplicada a um processo de receita ou risco já mapeado, com dado confiável para treinar e validar o resultado — não adoção genérica da tecnologia.

Preciso de uma área de dados estruturada como a de um banco para medir retorno de IA?

Não. O que gera retorno mensurável não é o tamanho da área de dados, é a disciplina de aplicar IA a um processo específico com dado confiável para aquele processo, dono nomeado e métrica acompanhada desde o piloto. Uma empresa de médio porte consegue aplicar esse critério a um único processo prioritário sem comitê de governança nem equipe de dados dedicada.

Qual é o primeiro indicador que uma empresa de médio porte deveria acompanhar?

O indicador certo depende do processo escolhido, mas a regra é a mesma: meça algo que já existia antes da IA — tempo de execução, número de pessoas envolvidas ou taxa de erro/retrabalho — e registre essa linha de base antes de qualquer mudança. Sem essa referência anterior, não há como comparar o resultado do piloto, só impressão subjetiva de que “melhorou”.

Investir em mais ferramentas de IA aumenta a chance de ter retorno medido?

Não necessariamente, e pesquisas recentes mostram o oposto: adoção de ferramentas cresce mais rápido do que a maturidade de medir retorno, segundo a AWS/Strand Partners (2026). Mais ferramenta sem processo nomeado, dado confiável e métrica definida tende a aumentar o uso disperso, não o resultado comprovado. O retorno vem do critério de escolha e medição, não do número de licenças compradas.

Gillian Pellegrino, fundadora da HAIA

Sobre a autora

Gillian Pellegrino

Fundadora da HAIA, consultoria executiva de IA. Executiva com mais de 30 anos liderando tecnologia e operações em grandes corporações, apoia líderes na transformação da pressão por IA em resultado mensurável — com estratégia, governança e o humano no comando.

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